segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Nelson Sargento - Flores em vida




Já que estamos falando de Mangueira...

Hoje em dia nos deparamos com artistas que se entitulam cantores, sapateadores, atores, modelos e manequins, dubladores e afins. Se acham o máximo!
Nelson Sargento não está nesta categoria, ele sim é o máximo e sua obra está aí para quem quiser apreciar. Compositor, cantor, escritor e pintor, Nelson nasceu no Rio de Janeiro e aos oito anos morava no Morro do Salgueiro, onde desfilava na Escola de Samba Azul e Branco. Aos 12 anos, mudou-se para o Morro da Mangueira, sendo adotado por Alfredo Lourenço, pintor de paredes nascido em Portugal e que chegara em um navio, fixando-se no Morro da Mangueira, onde recebeu o apelido de Alfredo Português. O padastro levava o pequeno Nelson para os ensaios da Escola Unidos da Mangueira, já extinta.
Aprendeu a tocar violão com Aluísio Dias, Cartola, Nelson Cavaquinho e passou a musicar os versos feitos pelo pai adotivo. Seguindo os passos de Alfredo Português, tornou-se pintor de paredes.
Carlos Cachaça o levou para integrar a ala de compositores da Mangueira, em 1947, foi sargento do Exército de 1945 a 1949, daí o apelido que tomou como nome artístico após ter participado do musical "Rosa de Ouro".
A partir de 1982, passou a conciliar a carreira de músico com a de artista plástico, no Rio de Janeiro, em 1983, expôs seus quadros de cenas do cotidiano e figuras primitivistas no Arquivo da Cidade, escreveu com Alice Campos, Francisco e Dulcinéia Duarte, a monografia "Um certo Geraldo Pereira", lançada pela Funarte, em 1983, através do Projeto Lúcio Rangel. Expôs, também, no Museu da Imagem e do Som (1993), Câmara Municipal do Rio de Janeiro (1994), Museu do Folclore (1995), Assembléia Legislativa (1998) e no Museu da Imagem e do Som (1999) . No ano de 1994 lançou o livro de poemas "Prisioneiro do mundo". Casou com a produtora Evonete Belisário e é pai de 11 filhos (sete naturais e quatro de criação). Em 2003, finalizou o livro de contos "Samba eu".
Em sua homenagem Moacyr Luz e Aldir Blanc compuseram "Flores em vida", da qual destacamos os seguintes versos: "Sargento apenas no apelido/guerreiro negro dos Palmares/Nelson é o Mestre-Sala dos mares/Singrando as águas da Baía".
No ano de 2005 lançou, na "1ª Bienal de Leitura de São Gonçalo" o livro "Pensamentos", pela Editora Olho do Tempo.

Fonte: Dicionário Cravo Albin

Apreciem sem nenhuma moderação a obra deste grande mestre!


6 comentários:

Brunão disse...

Consegui esse ultimo livro dele em um show, quando lançou a obra aqui na UFF. Aproveitando o momento, arrumei a dedicatória e uma foto com o coroa, que, neste momento, estava com um baita cheiro da cachaça. Não era pra menos, o Sargento tinha virado em pleno palco um copo da branquinha, logo após de cantar "eu sou o samba, a voz do morro.."

Naquela época, tinha saído um lance no JB que o Nelson dizia que iria entrar na ABL (Academia Brasileira de Letras). Foi então que perguntei a ele sobre a pretensão. Nelson disse que aquilo não era sério, mas só pra criar polêmica..

Daí, vale lembrar que a imortalidade dos grandes poetas do samba não precisa ser consagrada pelas cadeiras da academia, como já disse o mestre Candeia:
"O sambista não precisa ser membro da academia.
Ao ser natural em sua poesia o povo lhe faz imortal"

To com saudade da rapaziada e devo estar presente ai nos próximos eventos. Não esqueçam de avisar.

E quanto ao livro.. bem, acho melhor ficar com o CD. HauhuHiuha

Abraços e axé!

Léo Brito disse...

Grande Bruno, deu o ar da graça, como sempre, acrescentando muito! Já sabe onde esse livro vai parar, vai fazer companhia ao cidade partida, toca dos leões e alguns outros, rs.

Salve o multimídia Nelson Sargento. A simplicidade desse malandro é impressionante, cativante.

Salve o samba que agoniza mas não morre.

Valeu Rafa!

abraços

Léo Brito disse...

Quem não começar o próximo post com "já" ganha uma brahma e um petisco no Bill. rs

Rafael Gonçalves disse...

Boa Léo, chega de Já. srrsrsrs

Abraços

Leandrin disse...

Opa.. quero minha brahma e meu petisco.. Nesse mar de "Já" rolou coisa diferente.uaHUahuh.. GDe Brunão.. agora entendo pq vc ainda não me emprestou o "Cidade Partida" do Zuenir..UAHUAH..
Rafa mto bom o CD... Vou digerir melhor e depois acrescento mais alguma coisa..
Abraços galera.

Leandrin disse...

É meus amigos.. os Arranjos são de ninguém menos q João de Aquino..
A participação do Emílio em Labirinto da dor tb é pra ser ressaltada.. misturada com um piano Jobiniano ficou linda.

Em breve vem o cd " Sonho de um sambista" tb dele pra gente entender melhor esse "Sargento" q não é só no apelido.

Abraços.